sexta-feira , 21 junho 2024
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A importância do sistema Safra Zero do cafeeiro e sua aplicação nos contratos de parceria rural

por Laryssa Vieira.

A questão do alto custo da colheita é um dos principais desafios da produção de café em larga escala. Os cafeicultores de todo Brasil enfrentam cenário desafiador de custo elevado em ano de produção baixa.

A produtividade do café tende a diminuir ano após ano até ficar tão baixa que se torna necessário renovação, formados por novas plantações. A vida útil do café refere-se ao número de vezes que ele pode ser podado após o plantio antes que a produtividade diminua. Geralmente, em uma lavoura em porte alto, o prazo para renovação do cafezal chega até a terceira colheita ou, no máximo, a quinta colheita. Em lavouras de porte baixo, a produtividade permanece na 5ª, que pode ir até à 7ª colheita. Após esse período, a produtividade tende a diminuir.

Sabendo o custo de produção do café, os cafeicultores podem utilizar o sistema de safra zero, para propiciar a rentabilidade e a longevidade das suas lavouras, que é aplicado em todas as cultivares, destinada ao café arábica e ao café conilon. O sistema safra zero envolve o uso de um cronograma de podas bienal, ou seja, a cada dois anos. Esse sistema de manejo procede com a poda esqueletamento para eliminar colheitas em anos de baixa safra, além de  reduzir custo de produção por saca em ano de alta safra, através do corte de ramos plagiotrópicos de 30 a 50 cm. Procedendo corte para o cultivo manual ou adensado com desbrota de 1,60 a 1,80 m, e sem desbrota 1,80 a 2,00 m. Tratando-se de cultivo mecanizado com desbrota é de 1,80 a 2,00 e sem desbrota até 2,5 m. Este mecanismo serve para recuperação total do plantio.

Com seguimento em poda decote para retirada da parte superior do caule, deixando a maior parte dos ramos produtivos.

Dessa forma, poda decote baixo é de 1,40 a 1,80 m em cultivo de montanha ou adensada mantendo condução de brotos e manutenção de um a dois brotos por plantas e podas por período mais longos com maiores intervalos. Por sua vez, poda de decote alto é de 2,00 a 2,50 m em cultivo mecanizada de livre crescimento dos brotos e maior produção na 1ª safra.[1]

Assim, o sistema safra zero, possui objetivo de restaurar o rendimento da lavoura e reduzir os elevados custos em ano de safra baixa, visto que, em um ano a planta permanece em status vegetativo, sem produção.

Sem os custos da colheita, os cafeicultores conseguirão reduzir despesas porque não haverá produtividade naquele ano, beneficiando os gastos na colheita, que é a operação mais cara do ciclo cafeeiro.

O momento da poda é importante, e seu desconhecimento leva ao insucesso, devido os atrasos nas podas que podem prejudicar a alta produtividade do cafeeiro. Portanto, é fundamental acertar o momento da técnica: recomenda-se iniciar a poda o mais rápido possível, após a colheita, pois feito mais cedo pode gerar maior produtividade, de preferência a partir de junho e em caso da poda esqueletamento tardio, a partir de setembro. Em áreas expostas ao risco de geadas, doenças e pragas, isso deve ser feito após a ocorrência desses fenômenos.

As condições básicas para um sistema de safra zero bem-sucedido, inclui monitoramento e supervisão por um engenheiro agrônomo, espaçamento adequado entre as lavouras, início da poda antes de grandes perdas, indicado o mais cedo possível, após a colheita, manutenção da condição dos ramos e, e observando às diretrizes com extremo cuidado e atenha-se aos padrões de análise de solo.

As parcerias agrícolas são celebradas com o objetivo de aumentar a produtividade e gerar lucros para os proprietários de terras, com a garantia da mão de obra. De modo geral, o parceiro-outorgante (proprietário da terra) entrega ao parceiro-outorgado (trabalhador) e de pessoas da sua família ou agregados, hectare ou talhão de terra e detém um determinado lucro em percentual ao final da colheita do café, porque é responsável pelo insumo utilizado em plantações.

Entender as técnicas de produção como o Sistema Safra Zero é essencial para que o parceiro-outorgante preveja tal método nas cláusulas contratuais que versam sobre as obrigações do parceiro-outorgado, tendo em vista que a mão-de-obra da poda a ser realizada poderá recair sobre o mesmo nos prazos e especificações  previstos, conforme se explicou acima.

Nota:

[1] Ferreira, André Dominghetti. Podas do cafeeiro para altas produtividades. Embrapa Café.

 

 

 

Laryssa Vieira. Pós-graduanda em Direito Aplicado ao Agronegócio pelo Instituto de Direito Constitucional e Cidadania (IDCC). Graduada em Direito pela Escola de Direito das Faculdades Londrina. Membro da União Brasileira dos Agraristas Universitários (UBAU). Atuação na área Agrária e Agronegócio.

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