quinta-feira , 14 dezembro 2017
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Direito Agrário

Comercialização dos hortifrútis: publicação compara os preços cobrados pelos supermercados e o valor pago aos produtores rurais

A edição nº 170 da Revista Hortifruti Brasil (agosto/2017), publicação do CEPEA-EASLQ/USP traz uma reportagem muito interessante onde desmistifica cinco mitos ou verdades sobre por que os preços dos hortifrútis no varejo são bem mais elevados do que ao produtor, comparando os preços cobrados pelos supermercados e o valor pago aos produtores rurais.

A publicação traz como proposta expor, por meio da teoria de comercialização, a dinâmica de compra e venda do segmento hortifrutícola nas duas pontas opostas da cadeia, produtor e varejo, e os principais custos dessa relação.

Confira o seguinte trecho da publicação (pp. 10 e 11):

 

“De fato, os preços ao varejo são muito mais elevados do que os observados na roça. No entanto, não se trata de dar maior ou menor valor para o varejo ou para o produtor. Apesar de as frutas e hortaliças comercializadas na forma in natura apresentarem o mínimo de processamento desde o nível de produção até chegar às mesas das famílias, há diversos serviços adicionados neste processo, que implicam em custos de comercialização para a cadeia. Isto é, para que o consumidor consiga comprar seu produto, na forma, espaço e tempo desejados, há custos para que o produto esteja disponível na ponta final da cadeia.

Assim, quando comparadas as duas pontas opostas da cadeia de frutas e hortaliças frescas (produtor e consumidor, é importante destacar que os custos dos compradores não envolvem apenas a aquisição da matéria-prima; há uma série de serviços adicionados para levar o produto de uma ponta a outra, como: transporte, armazenamento, beneficiamento/processamento, classificação, embalagem, marketing etc., que acabam incluindo custos com mão de obra, frete, aluguel e/ou aquisição de benfeitorias e má- quinas, impostos, seguros, financiamentos e assim por diante.

Além disso, as perdas são elevadas neste deslocamento da roça até o consumidor e, quanto mais perecível, manuseado e intermediado o produto é até o consumidor final, maior é a diferença de preços entre as duas pontas dessa cadeia.

Isso pode ser observado nos produtos importantes na cesta do consumidor, que também são analisados pela Hortifruti Brasil: batata, cebola, tomate, banana, laranja, maçã e uva (ver quadro na página ao lado). O cálculo da diferença dos preços ao varejo e ao produtor foi realizado confrontando-se os dados do varejo divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) na cidade de São Paulo, no período de janeiro de 2016 a fevereiro de 2017, e ao produtor coletados pelo Hortifruti/Cepea. As cotações no varejo são referentes à capital paulista, e para que a comparação fosse feita da melhor forma, as cotações ao produtor foram escolhidas de acordo com as regiões que têm maior participação no envio de produtos à capital.

No geral, o resultado é: quanto menos padronizado, maior é a diferença entre os valores ao produtor e no varejo. A cebola, por exemplo, foi comercializada (de janeiro/16 a fevereiro/17) por quatro vezes a mais no varejo em relação ao valor da roça. A cebola da lavoura não é padronizada e não recebe beneficiamento; então, o comprador que assume essa responsabilidade adiciona todos os custos de beneficiamento (muitas vezes, também de armazenamento) e logística, além das perdas. O produto de menor diferença entre a produção e o varejo no período analisado foi a maçã. A razão é que o valor captado pelo Hortifruti/Cepea não é na lavoura, mas, sim, do produto já beneficiado na packing house. Portanto, quanto menos perecível, mais padronizado e com menos intermediários envolvidos, menor é a diferença entre os valores entre o produtor e ao varejo.

Produtores, cada vez mais, têm adicionado serviços (padronização, beneficiamento, logística e marca própria) para obter valor mais elevado pelo seu produto. No entanto, é importante analisar os custos de comercialização incorridos neste processo para avaliar a real lucratividade de se integrar cada vez mais à cadeia.

Com isso, a constatação de que o varejo tem grandes margens de lucro somente comparando-se a diferença de preços entre o segmento primário da cadeia e o final (varejo) é mais mito do que um fato! Apesar de ter maior estabilidade e menos riscos, (como o climático, por exemplo), o varejo assume também diversos custos ao comercializar frutas e hortaliças, pois a diferença de preços observada não representa somente os lucros, mas muitos custos e ineficiências incorridas em todas as etapas da cadeia.

Dentre essas ineficiências estão as perdas ao longo do processo de comercialização. Quanto maiores as perdas, menor é a quantidade que será disponibilizada ao consumidor final e, consequentemente, o HF não se valoriza como deveria. Assim, o consumidor paga mais por ele. Já o varejo tende a adquirir muito mais produtos para comercializar uma unidade.

Por falta de dados, não foram computadas as perdas físicas inerentes no processo de comercialização. Com a inclusão das perdas no processo, a diferença cai entre o produtor e o varejo, já que este último adquire um volume maior do que de fato vai vender. As principais redes de varejo do País entrevistadas pela Hortifruti Brasil para esta edição indicam que, só nas gôndolas, as perdas físicas dos HF’s alcançam 10%.

No entanto, a cadeia como um todo pode ter perdas de cerca de 30% para legumes e hortaliças e de 35% para as frutas, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Portanto, para levar um quilo de tomate até as mãos dos consumidores, por exemplo, a cadeia tem que custear a comercialização de 1,3 quilo. Isso significa que o preço é evidentemente mais caro ao consumidor e, dependendo da oferta, pode desvalorizar o produto no campo”.

Direito Agrário

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Veja também:

– O DIREITO AGRÁRIO E A CESTA BÁSICA – Prof. Dr. Darcy Walmor Zibetti (Portal DireitoAgrário.com, 26/06/2016)

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