Direito Agrário

Novo marco legal do seguro rural – Lei nº 15.526/2026

Foi publicada no Diário Oficial da União de 30/09/2026, a Lei nº 15.526, de 29 de setembro de 2026, que altera a Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991, a Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003, e a Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010, para aperfeiçoar o marco legal do seguro rural.

A norma estabelece prazo de até 15 dias para regulação dos sinistros que não dependam da colheita, do corte ou da liberação da área para vistoria. Para a liquidação, o limite é de 30 dias, contado da entrega dos documentos obrigatórios ou da vistoria presencial, o que ocorrer por último. A documentação exigida deverá ser objetiva e diretamente relacionada ao sinistro.

No crédito rural, o seguro integra o conjunto de garantias. Operações seguradas poderão receber condições favorecidas de juros, prazos e limites, além de incentivos à prorrogação e à renegociação.

A lei também confere caráter obrigatório às despesas de subvenção ao prêmio, dentro dos limites e condições legais, e protege essas ações contra limitação de empenho e movimentação financeira.

Outro destaque é a reformulação do Fundo de Catástrofe, destinado à cobertura suplementar dos riscos do seguro rural. Sua efetiva operação dependerá das providências de implementação.

Foram vetados os dispositivos que previam a extensão da isenção de tributos federais ao seguro rural, incluindo a revogação do inciso III do art. 22 da Lei Complementar nº 137/2010 e da possibilidade de aquisição de Letras de Risco de Seguro (LRS) pelo Fundo Catástrofe. (Mensagem de Veto nº 794)

Confira a íntegra da Lei nº 15.526/2026 

LEI Nº 15.526, DE 29 DE SETEMBRO DE 2026

Altera a Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991, a Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003, e a Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010, para aperfeiçoar o marco legal do seguro rural.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei altera a Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991, a Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003, e a Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010, para aperfeiçoar o marco legal do seguro rural.

Art. 2º A Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações, numerado o parágrafo único do art. 56 como § 1º:

“Art. 1º ……………………………………………………………………………………………………..

Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, entende-se por atividade agrícola a produção, o processamento e a comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, aquícolas, pesqueiros e florestais.” (NR)

“Art. 4º ……………………………………………………………………………………………………

…………………………………………………………………………………………………………………………

XIII – seguro rural;

………………………………………………………………………………………………………………………….

XX – recuperação de áreas degradadas.

………………………………………………………………………………………………………………….” (NR)

“‘CAPÍTULO XV

DO SEGURO RURAL’

‘Art. 56. É instituído o seguro rural destinado a cobrir prejuízos decorrentes de:

I – sinistros que afetem interesse legítimo do segurado relativo a bens fixos e semifixos ou semoventes utilizados na atividade rural;

II – fenômenos naturais, pragas, doenças ou outros eventos específicos que afetem o interesse legítimo do segurado relativo às atividades agrícolas, conforme definidas nesta Lei.

§ 1º (Revogado).

§ 2º O seguro rural é instrumento da política agrícola e da política de seguros.

§ 3º Caberá ao Poder Executivo determinar as atividades agrícolas definidas nesta Lei a serem amparadas pelo seguro rural.

§ 4º As condições contratuais dos seguros rurais respeitarão o disposto na Lei nº 15.040, de 9 de dezembro de 2024, e deverão conter, adicionalmente, cláusulas que determinem:

I – a lista de documentos obrigatórios a serem fornecidos pelo segurado à sociedade seguradora, para a regulação dos sinistros;

II – o prazo mínimo de antecedência com que o segurado deve informar à sociedade seguradora a data efetiva da colheita, do corte ou da liberação da área das culturas cobertas, nos casos em que a regulação dos sinistros dependa de vistoria técnica presencial de apuração dos prejuízos pela sociedade seguradora;

III – o prazo de até 15 (quinze) dias, contado do aviso de sinistro feito pelo segurado, para a regulação dos sinistros que não dependam da colheita, do corte ou da liberação da área das culturas cobertas para a vistoria técnica presencial de apuração dos prejuízos; e

IV – o prazo máximo de 30 (trinta) dias para liquidação dos sinistros, parciais ou totais, contado da entrega dos documentos previstos no inciso I deste parágrafo ou, quando necessária, da vistoria técnica presencial, o que ocorrer por último.

§ 5º A lista de que trata o inciso I do § 4º deste artigo deverá ser objetiva, conter apenas os documentos cuja obtenção dependa de iniciativa exclusiva do segurado e ter relação direta com os sinistros.

§ 6º (VETADO).’ (NR)

………………………………………………………………………………………………………………………..

‘Art. 58. O contrato de seguro rural adquirido pelo produtor rural integrará o conjunto de garantias das operações de crédito rural, nos termos deste artigo.

§ 1º Para fins de aceitação do seguro rural como garantia de operações de crédito rural, poderá ser exigido que a apólice contenha, cumulativamente ou não, cláusulas que:

I – estabeleçam a cessão fiduciária, em favor da instituição financeira credora, dos direitos e das indenizações decorrentes da apólice, em caráter irrevogável e irretratável;

II – definam a instituição financeira credora como a primeira beneficiária da indenização em caso de sinistro;

III – estabeleçam prazos máximos para regulação e pagamento inferiores ao previsto na Lei nº 15.040, de 9 de dezembro de 2024;

IV – identifiquem, de forma clara, o objeto segurado, a cobertura contratada, os limites, os prazos e as demais condições para a caracterização e o acionamento do sinistro.

§ 2º O seguro rural de que trata este artigo deverá ser contratado com seguradoras que atendam a requisitos mínimos de capacidade econômico-financeira definidos em regulamento.

§ 3º O Poder Executivo federal estabelecerá condições que incentivem o uso do seguro rural.’ (NR)”

“Art. 82. São fontes de recursos financeiros para o seguro rural:

………………………………………………………………………………………………………………….” (NR)

“Art. 103. ………………………………………………………………………………………………….

………………………………………………………………………………………………………………………….

Parágrafo único. ……………………………………………………………………………………….

I – a prioridade na obtenção de apoio financeiro oficial, por meio da concessão de crédito rural e de outros tipos de financiamento, bem como da subvenção concedida pelo poder público ao prêmio do seguro rural;

……………………………………………………………………………………………………………..” (NR)

Art. 3º A Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003, passa a vigorar com as seguintes alterações, numerado o parágrafo único do art. 2º como § 1º:

“Art. 1º ……………………………………………………………………………………………………..

…………………………………………………………………………………………………………………………..

§ 4º As despesas com a subvenção econômica de que trata este artigo terão caráter obrigatório, limitadas ao montante previsto no projeto de lei orçamentária anual encaminhado pelo Poder Executivo federal ao Congresso Nacional, correrão à conta das dotações orçamentárias consignadas anualmente ao Ministério da Agricultura e Pecuária e estarão condicionadas à observância de medidas de compensação nos termos de legislação específica.

…………………………………………………………………………………………………………………………

§ 6º (Revogado).

§ 7º As operações de crédito rural amparadas por seguro rural poderão ter como benefícios e incentivos, entre outros:

I – condições favorecidas ao tomador no tocante a taxas de juros, prazos e limites;

II – prioridade de acesso ao crédito rural, inclusive quando se tratar de prorrogação ou de renegociação; e

III – financiamento do prêmio do seguro.

§ 8º Os benefícios e incentivos previstos no § 7º deste artigo poderão ser concedidos de forma cumulativa, e sua concessão será obrigatória quando se tratar de prioridade de acesso à prorrogação ou à renegociação de operações de crédito rural disciplinadas pelo Poder Executivo por força de lei.

§ 9º O Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, com vistas ao cumprimento do disposto no § 2º do art. 3º desta Lei, regulamentará as informações a serem prestadas pelas sociedades seguradoras em suas operações de seguro rural subvencionadas.

§ 10. A participação da sociedade seguradora no fundo de que trata a Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010, quando o fundo estiver em operação, é obrigatória para fins de acesso ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

§ 11. Para os efeitos desta Lei, equiparam-se às sociedades seguradoras as sociedades cooperativas de seguros.” (NR)

“Art. 2º …………………………………………………………………………………………………….

§ 1º Será exigido do produtor rural, como condição para acessar a subvenção econômica de que trata esta Lei, o fornecimento de dados relativos à sua atividade agropecuária, na forma a ser definida pelo Poder Executivo.

§ 2º O Poder Executivo poderá estabelecer convênios ou parcerias com outros entes federativos para incentivar e complementar a concessão de subvenção econômica em percentual ou valor do prêmio do seguro rural a ser diferenciada segundo as disposições docaputdeste artigo.” (NR)

“Art. 3º …………………………………………………………………………………………………….

………………………………………………………………………………………………………………………….

VII – o fornecimento de dados de que trata o § 1º do art. 2º desta Lei;

VIII – as medidas restritivas de acesso ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, em caráter prudencial, no caso de descumprimento no fornecimento de dados conforme disposto nesta Lei;

IX – os parâmetros mínimos de cobertura de riscos e as cláusulas obrigatórias dos contratos de seguro rural beneficiados pela subvenção econômica de que trata esta Lei, observada a diferenciação prevista no art. 2º desta Lei.

………………………………………………………………………………………………………………………….

§ 2º O Poder Executivo organizará e disponibilizará na internet bancos de dados com informações das operações de seguro rural, para facilitar o desenvolvimento de produtos e políticas securitários para o agronegócio.

§ 3º O Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural previsto no art. 4º desta Lei organizará e disponibilizará na internet manual codificando as regras que regem a subvenção ao seguro rural de que trata esta Lei.” (NR)

“Art. 4º ……………………………………………………………………………………………………

§ 1º O Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural deverá criar comissões consultivas, das quais participarão representantes do setor privado, notadamente representantes das sociedades seguradoras e dos produtores rurais, sem prejuízo da participação de representantes de outros segmentos do setor privado e de representantes de outros órgãos públicos.

…………………………………………………………………………………………………………………” (NR)

“Art. 5º ……………………………………………………………………………………………………

…………………………………………………………………………………………………………………………

VII – fazer cumprir o disposto no inciso VII docaputdo art. 3º desta Lei, ouvida a comissão na qual estão representados os produtores rurais;

VIII – incentivar a criação e a expansão de programas de subvenção econômica em percentual ou valor do prêmio do seguro rural em Estados e Municípios, com vistas a uma articulação federativa para a expansão da cobertura do seguro rural.

…………………………………………………………………………………………………………….” (NR)

Art. 4º A Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 1º É a União autorizada a participar, na condição de cotista, de fundo que tenha por únicos objetivos a cobertura suplementar dos riscos do seguro rural e sua respectiva gestão, o qual passa, nesta Lei Complementar, a ser denominado, simplesmente, Fundo.

§ 1º A integralização de cotas pela União será autorizada por decreto e poderá ser realizada a critério do Ministro de Estado da Fazenda em:

I – moeda corrente, de acordo com o previsto na lei orçamentária;

II – títulos públicos;

a) (revogada);

………………………………………………………………………………………………………………………….

III – ações de sociedade em que a União tenha participação minoritária;

IV – ações de sociedades de economia mista federais excedentes ao necessário para manutenção do controle acionário pela União;

V – imóveis e outros ativos ou direitos da União; e

VI – outros recursos.

………………………………………………………………………………………………………………………….

§ 5º Para fins de elegibilidade à cobertura do Fundo, considera-se a definição de seguro rural conforme as disposições do art. 56 da Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991, na forma de seu estatuto.

§ 6º O estatuto do Fundo considerará, em suas operações, os critérios do zoneamento de riscos agropecuários regulamentado pelo Poder Executivo federal.

§ 7º As coberturas do Fundo serão definidas pelo Conselho Diretor, a partir de proposta da instituição administradora, na forma do estatuto do Fundo.

§ 8º A participação no Fundo, na condição de cotistas, de sociedades seguradoras, de sociedades resseguradoras, de empresas da cadeia produtiva do agronegócio e de cooperativas de produção agropecuária será facultativa, nos termos de seu estatuto.

§ 9º O estatuto do Fundo deverá observar as condições, as coberturas e os custos compatíveis com as necessidades e os riscos individuais de cada sociedade seguradora e resseguradora, atuarialmente calculados, de modo a evitar ônus desproporcionais e distorções de finalidade.

§ 10. É instituído o Comitê de Participação do Fundo, com o objetivo de assessorar a participação da União na condição de cotista, com composição e competências a serem estabelecidas em ato do Poder Executivo.

§ 11. Para os efeitos desta Lei Complementar, equiparam-se às sociedades seguradoras as sociedades cooperativas de seguros.” (NR)

“Art. 2º O Fundo será instituído, administrado, gerido e representado judicial e extrajudicialmente por pessoa jurídica que tenha entre seus objetivos esse fim específico, inclusive empresa pública, ou por instituição financeira pública federal, doravante denominada instituição administradora, da qual poderão participar, na condição de cotistas, sociedades seguradoras, sociedades resseguradoras, empresas da cadeia produtiva do agronegócio e cooperativas de produção agropecuária.

I – (revogado);

………………………………………………………………………………………………………………………….

§ 3º Os valores relativos aos recursos a que se referem os incisos I, II, III e IV do § 2º deste artigo devem ser contabilizados e evidenciados separadamente.

§ 4º É autorizada, a critério do Conselho Diretor do Fundo, a destinação de recursos do Fundo para o fortalecimento dos bancos de dados de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003, e do zoneamento de riscos agropecuários regulamentado pelo Poder Executivo federal, condicionada à previsão orçamentária e ao equilíbrio atuarial.

§ 5º Até a criação da instituição administradora de que trata ocaputdeste artigo, poderá ser, em caráter provisório, designada instituição já existente, especializada na gestão de fundos similares, para administrar, gerir e representar judicial e extrajudicialmente o Fundo.” (NR)

“Art. 3º …………………………………………………………………………………………………….

§ 1º ………………………………………………………………………………………………………….

I – a composição e as competências do Conselho Diretor do Fundo, assegurando-se a participação de pelo menos 2 (dois) representantes das sociedades seguradoras, 2 (dois) representantes das sociedades resseguradoras, 1 (um) representante das cooperativas de produção agropecuária e 1 (um) representante das empresas da cadeia produtiva do agronegócio, desde que atendido o disposto no § 8º deste artigo;

……………………………………………………………………………………………………………..

VI – as classes de cotas e o direito a voto na assembleia de cotistas;

VII – as regras de constituição e de funcionamento e as atribuições do Conselho Fiscal que supervisionará a instituição administradora, as quais deverão observar as disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no que couber;

VIII – as atribuições da instituição administradora;

IX – a possibilidade de constituição de subfundos com patrimônios segregados destinados a atender a especificidades setoriais, bem como a definição de seus critérios.

§ 2º Os votos da União, das sociedades seguradoras, das sociedades resseguradoras, das empresas da cadeia produtiva do agronegócio e das cooperativas de produção agropecuária na assembleia de cotistas serão distribuídos na proporção do número de cotas de cada um.

………………………………………………………………………………………………………………………….

§ 4º (Revogado).

§ 5º (Revogado).

§ 6º Para realizar operações com o Fundo, a sociedade seguradora ou resseguradora deverá, nos termos e condições previstos no estatuto:

………………………………………………………………………………………………………………………….

§ 7º As empresas da cadeia produtiva do agronegócio e as cooperativas de produção agropecuária que optarem por participar do Fundo deverão subscrever cotas, nos termos e condições previstos no estatuto do Fundo.

§ 8º O estatuto do Fundo definirá o número mínimo de cotas que deverão ser subscritas e integralizadas pelas sociedades seguradoras, pelas sociedades resseguradoras, pelas empresas da cadeia produtiva do agronegócio e pelas cooperativas de produção agropecuária para assegurar representação no Conselho Diretor do Fundo.

…………………………………………………………………………………………………………………………..

§ 10. O Conselho Diretor do Fundo deverá estabelecer condições para concessão da cobertura suplementar, de forma a garantir permanentemente a solvência do Fundo, observados o estatuto do Fundo e a regulamentação do órgão regulador de seguros.

§ 11. O Fundo poderá:

I – (VETADO);

II – transferir riscos por meio de resseguro ou realizar a cessão ou a venda de riscos para Sociedade Seguradora de Propósito Específico (SSPE), de que trata a Lei nº 14.430, de 3 de agosto de 2022.

§ 12. Entre as atribuições da instituição administradora, o estatuto do Fundo poderá dispor sobre:

I – contratação de serviços privados e constituição de parcerias com entes públicos e privados;

II – assinatura de convênios com entes públicos para compartilhamento de informações;

III – avaliação do nível de capitalização do Fundo e propositura de plano para sua adequação.

§ 13. O Fundo não poderá pagar rendimentos a seus cotistas, assegurado a qualquer deles o direito de transferir a propriedade de suas cotas, nos termos do estatuto, e de requerer o resgate total ou parcial de suas cotas, fazendo-se a liquidação com base na situação patrimonial dos fundos, vedado o resgate de cotas em valor superior ao montante dos recursos financeiros disponíveis ainda não vinculados às garantias já contratadas, nos termos do estatuto.” (NR)

“Art. 8º O valor das cotas do Fundo adquiridas por sociedades seguradoras, sociedades resseguradoras, empresas da cadeia produtiva do agronegócio e cooperativas de produção agropecuária poderá ser deduzido:

…………………………………………………………………………………………………………………” (NR)

“Art. 10. ……………………………………………………………………………………………………

…………………………………………………………………………………………………………………………..

IV – operações que impliquem transferência de risco do Fundo, inclusive as de resseguro, de retrocessão ou de LRS.” (NR)

Art. 5º Não serão objeto de limitação de empenho e movimentação financeira as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais, as referentes a ações relacionadas à subvenção ao prêmio do seguro rural e as ressalvadas pela lei de diretrizes orçamentárias.

Art. 6º Revogam-se:

I – o § 1º do art. 56 da Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991;

II – da Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003:

a) o § 6º do art. 1º;

b) o art. 1º-A;

III – da Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010:

a) a alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 1º;

b) o inciso I docaputdo art. 2º;

c) os §§ 4º e 5º do art. 3º;

d) (VETADO).

Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de setembro de 2026; 205º da Independência e 138º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

André Carlos Alves de Paula Filho

Fernanda Machiaveli Morão de Oliveira

Dario Carnevalli Durigan

Rivetla Edipo Araujo Cruz

Bruno Moretti

Jorge Rodrigo Araújo Messias

Presidente da República Federativa do Brasil

O novo marco legal do seguro rural

Análise preliminar das mudanças da Lei nº 15.526 de 2026 e seus efeitos sobre os contratos e os processos em curso

por Albenir Querubini

Advogado, Mestre em Direito

@albenirquerubini

Publicada no Diário Oficial da União em 30 de setembro de 2026, a Lei nº 15.526/2026 aperfeiçoa o marco legal do seguro rural, com alterações na Lei de Política Agrícola, na legislação da subvenção ao prêmio e na estrutura do Fundo de Catástrofe. A reforma alcança tanto a política pública quanto aspectos contratuais, mas não modifica automaticamente o regime dos contratos e sinistros anteriores. [1]

Fazemos aqui uma breve análise preliminar e comparativa da novidade legislativa.

1 O que muda na disciplina dos contratos

A comparação deve considerar o conjunto normativo anterior, inclusive a Lei nº 15.040/2024 e a regulamentação da Susep. O quadro apresenta as principais alterações na Lei nº 8.171/1991. [2]

Tema Regime anterior Nova disciplina
Abrangência Seguro agrícola relativo a bens, semoventes e plantações; amparo às atividades florestais e pesqueiras. Seguro rural ligado ao interesse legítimo nas atividades agrícolas definidas pela lei.
Documentos O art. 56 não continha esses requisitos específicos. Lista objetiva, relacionada ao sinistro e limitada a documentos cuja obtenção dependa de iniciativa exclusiva do segurado.
Colheita e vistoria Sem regra específica no art. 56. Cláusula de antecedência mínima para comunicar colheita, corte ou liberação da área, quando necessária vistoria presencial.
Regulação Sem prazo específico de 15 dias no art. 56. Até 15 dias desde o aviso, quando a vistoria não depender da colheita, corte ou liberação da área.
Liquidação Disciplina geral legal e regulatória. Até 30 dias desde os documentos obrigatórios ou a vistoria presencial, o que ocorrer por último.
Garantia do crédito A apólice poderia constituir garantia. O contrato integra o conjunto de garantias, observadas as condições legais de aceitação.

O prazo de 30 dias para liquidação não surgiu com a reforma. A Circular Susep nº 621/2021 já previa esse prazo, contado da entrega dos documentos básicos. A mudança está na disciplina específica rural, com tratamento da vistoria e prazo de 15 dias para determinadas regulações. [6]

2 Subvenção e articulação com o crédito rural

Na Lei nº 10.823/2003, a reforma modifica o tratamento dos recursos públicos, os incentivos ao crédito, o fornecimento de dados e a participação dos produtores na governança do programa. [3]

Tema Regime anterior Nova disciplina
Recursos da subvenção Sujeitos a limites de movimentação, empenho e pagamento. Despesa obrigatória, limitada ao montante previsto no projeto de orçamento e condicionada às medidas legais de compensação.
Incentivos no crédito Sem esse conjunto expresso de incentivos na Lei nº 10.823/2003. Condições favorecidas, prioridade no crédito e financiamento do prêmio.
Prorrogação e renegociação Sem essa prioridade expressa. Prioridade obrigatória de acesso nas operações disciplinadas pelo Executivo por força de lei.
Exigência do seguro Proibição de o poder público exigir seguro para acesso ao crédito de custeio agropecuário. Revogação dessa proibição.
Dados do produtor Dados históricos poderiam ser exigidos. Dados passam a ser condição obrigatória da subvenção, conforme regulamentação.
Participação dos produtores Comissões consultivas poderiam ser criadas. Criação obrigatória, com representantes de produtores e seguradoras.

O art. 5º da Lei nº 15.526/2026 protege as ações de subvenção contra limitação de empenho e movimentação financeira. Isso deve ser lido em conjunto com os limites e as condições legais da despesa. [1]

A revogação da proibição de exigir seguro não institui, por si só, contratação obrigatória para todo crédito rural, nem permite concluir que o banco possa impor determinada seguradora. Da mesma forma, prioridade na renegociação não significa concessão automática do alongamento solicitado. [1; 3]

3 A reformulação do Fundo de Catástrofe

O fundo de cobertura suplementar já estava previsto na Lei Complementar nº 137/2010. A nova lei reformula sua estrutura e os instrumentos de funcionamento; a reforma não equivale à disponibilidade imediata de recursos para indenizações. [4]

Tema Regime anterior Nova disciplina
Capitalização Moeda corrente e títulos públicos, estes sujeitos a limite nominal. Ampliação dos ativos admitidos e retirada daquele limite para títulos públicos.
Participação Estrutura original centrada em seguradoras e resseguradoras. Inclusão de empresas da cadeia do agronegócio e cooperativas de produção.
Administração Modelos previstos na legislação original. Reformulação e possibilidade de designação provisória de instituição existente.
Cobertura e gestão Estrutura prevista desde 2010. Critérios atuariais, zoneamento, governança e possibilidade de subfundos.

4 A relação com a Lei do Contrato de Seguro

A Lei nº 15.040/2024 reorganizou o regime geral dos seguros privados e revogou os arts. 757 a 802 do Código Civil, além de outros dispositivos. Não se trata de uma lei exclusivamente voltada ao seguro rural. [5]

Aspecto Lei nº 15.040 de 2024 Lei nº 15.526 de 2026
Objeto Regime geral dos contratos de seguro privado. Marco específico rural e sua articulação com a política agrícola.
Conteúdo Formação, execução, cobertura, sinistros e indenização. Regras rurais de sinistros, crédito, subvenção e cobertura suplementar.
Relação Disciplina geral dos seguros. Disciplina especial, com respeito expresso à Lei nº 15.040/2024.
Vigência 11 de dezembro de 2025. 30 de setembro de 2026.

A lei geral prevê, como regra, 30 dias para manifestação sobre cobertura e, reconhecida esta, 30 dias para pagamento, com hipóteses próprias de suspensão. A disciplina rural utiliza marcos específicos. A interpretação aqui adotada é de aplicação conjunta, com prevalência das regras rurais nos pontos especificamente regulados, sem transposição mecânica de todas as regras gerais de prazo. [1; 5; 7]

5 Os efeitos sobre os processos em curso

A lei nova pode ser relevante para uma ação em andamento, mas a data do processo não determina, isoladamente, a legislação material aplicável. O art. 6º da LINDB prevê efeito imediato e geral, preservando o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. É necessário identificar as datas do contrato, do sinistro, do aviso, da vistoria e da negativa. [8]

Situação Tratamento jurídico
Contrato, sinistro e negativa anteriores a 30 de setembro de 2026 Em regra, o litígio deve ser examinado pelo regime aplicável à relação e aos fatos anteriores. A lei nova não cria retroativamente cobertura ou descumprimento de prazo.
Contrato anterior com sinistro ou regulação posterior Exige análise específica. A ocorrência posterior não basta para afastar a proteção do contrato anterior; é preciso avaliar a natureza e o alcance temporal de cada regra.
Nova contratação ou renovação após a vigência A nova disciplina deve ser observada, considerando o conteúdo da renovação e as disposições dependentes de regulamentação.

Esse quadro apresenta uma interpretação fundada nas regras gerais de direito intertemporal. A Lei nº 15.526/2026 estabelece vigência na publicação, mas não contém uma solução detalhada de transição para todos os contratos e litígios existentes. [1; 8]

Os prazos de regulação e liquidação pertencem à relação securitária (norma de direito material) e não são prazos processuais judiciais. Assim, a aplicação imediata das normas processuais aos processos em curso, prevista no art. 14 do CPC, não autoriza aplicação retroativa dessas obrigações contratuais. [9]

Um fato superveniente que efetivamente modifique o direito discutido, como pagamento ou renegociação posterior, poderá ser considerado no julgamento, observado o contraditório, nos termos do art. 493 do CPC. É preciso demonstrar sua pertinência à causa; a publicação da lei, isoladamente, não afasta as regras de direito intertemporal. [9]

6 Considerações finais

A reforma fortalece a disciplina do seguro rural, com regras específicas para sinistros, alterações na subvenção e maior articulação com o crédito. Seus efeitos sobre contratos anteriores e ações judiciais em andamento, porém, dependem da análise das datas e das situações jurídicas envolvidas. A distinção entre vigência, implementação e aplicação temporal é essencial para compreender o alcance prático do novo marco.

Referências

[1] BRASIL. Lei nº 15.526, de 29 de setembro de 2026. Aperfeiçoa o marco legal do seguro rural. Diário Oficial da União, 30 set. 2026.

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-15.526-de-29-de-setembro-de-2026-735384105

https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15526.htm

[2] BRASIL. Lei nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política agrícola. Texto com indicação das alterações.

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8171.htm

[3] BRASIL. Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003. Dispõe sobre a subvenção econômica ao prêmio do Seguro Rural. Texto com indicação das alterações.

https://planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.823.htm

[4] BRASIL. Lei Complementar nº 137, de 26 de agosto de 2010. Autoriza a participação da União em fundo destinado à cobertura suplementar dos riscos do seguro rural. Texto com indicação das alterações.

https://planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp137.htm

[5] BRASIL. Lei nº 15.040, de 9 de dezembro de 2024. Dispõe sobre normas de seguro privado.

https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l15040.htm

[6] BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Informativo de Jurisprudência nº 752, de 11 de outubro de 2022. Referência aos arts. 41, 43 e 46 da Circular Susep nº 621/2021.

https://processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/?acao=pesquisarumaedicao&livre=%270752%27.cod.

[7] BRASIL. Superintendência de Seguros Privados. Susep esclarece pontos sobre a nova lei do contrato de seguros e prepara regulamentação complementar. Julho de 2025.

https://www.gov.br/susep/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2025/julho/susep-esclarece-pontos-sobre-a-nova-lei-do-contrato-de-seguros-e-prepara-regulamentacao-complementar-1

[8] BRASIL. Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Art. 6º.

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657compilado.htm

[9] BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Arts. 14 e 493.

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm

Fontes eletrônicas consultadas em 30 de setembro de 2026.